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Pianista Rudolf Buchbinder faz show nesta terça em São Paulo

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Nesta terça-feira (18), o compositor e pianista Rudolf Buchbinder, vai se apresentar no evento Mozarteum Brasileiro, que ocorre na cidade de São Paulo. O recital do artista acontece  a partir das 21h, o músico também se apresentará na quarta-feira (19).

Em entrevista, o músico informou que trará um repertório cheio, e que se preparou para sua apresentação em solo brasileiro.“Estou estudando, me preparando para os recitais que vou fazer aí no Brasil. Muita música para repassar”, disse.

Abrindo a temporada internacional do evento, o pianista comenta que a preparação auxilia na interpretação das partituras, e evita a ideia de que se chegou ao ponto definitivo da música.

“No momento em que me sentar ao piano e não entender essas peças, cada interpretação, como uma viagem em diferente ao novo, terei um problema, é  preciso evitar sempre a ideia de que chegamos a um ponto definitivo quando falamos na relação com uma obra musical. Não é um clichê: sempre há algo a descobrir”, comentou.

De acordo com o pianista, seu repertório é repleto de sonatas compostas por Ludwig van Beethoven, que para ele, era um músico sensível e revolucionário para seu tempo. 

A imagem que se construiu do compositor ao longo do tempo é a de um titã, uma força da natureza. Mas olhem a sua música, escutem o que ele escreveu. Ele foi um homem extremamente sensível, um revolucionário em muitos sentidos, mas acima de tudo um humanista”, falou.

Ainda em entrevista Rudolf revelou que está programando novas obras para interpretar em suas apresentações ao vivo. O músico fala que é um desafio refletir sobre música e discutir questões relacionadas à execução das obras escolhidas.

“Há muita coisa sobre o que refletir quando se toca essa música. Vou te dar um exemplo. Quando ele anota ‘expressivo’ na partitura e, depois, pede que voltemos a tocar no tempo, está nos dizendo que há nesse expressivo uma dose de liberdade. Mas como ele deve soar? É o desafio que ele te coloca. Qual a medida dessa expressão? Não há como encontrar uma resposta definitiva e aí está o desafio”, revelou.

O pianista contou também que não se sente incomodado quando é associado a Beethoven, pois, é um artista que possui músicas fantásticas, e não se incomoda em passar a vida ao lado dessas obras.

O concerto para piano e orquestra que mais toquei até hoje foi de (George) Gershwin. E as pessoas se surpreendem quando digo isso! Mas devo dizer que a associação com Beethoven não me incomoda. Mesmo. Afinal, não é nada mau poder passar uma vida toda ao lado de sua música”, expressou.

Em conversa, o pianista revelou também que seu apreço pela música é grande, a ponto de colecionar partituras antigas, com edições escritas no século 19. O músico fala que nessas obras é possível visualizar detalhes que se perdem com o tempo.

“Por um lado, você encontra muitos detalhes, muitas coisas que vão se perdendo com o tempo, que podem sugerir algumas ideias ou noções de interpretação. Mas é um material precioso também por outros motivos. Tenho aqui comigo uma edição feita por Franz Liszt. Ele era um grande virtuoso, o principal pianista de seu tempo. Mas ele mantém todas as indicações de dedilhado originais de Beethoven. Ele não precisaria fazer isso, grande pianista que era, mas fez. E isso para mim é prova do sinal do respeito que a música do compositor inspirou ao longo da história”, finalizou.

 

com informações de Terra